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Mercado de micromobilidade: patinetes elétricos estão invadindo as grandes cidades

Forma alternativa de se locomover pelas cidades, os patinetes elétricos estão atraindo cada vez mais pessoas e o mercado de micromobilidade vem crescendo com uma nova visão de transporte.

Se você mora em uma das metrópoles do Brasil, já deve ter visto um patinete elétrico verde ou amarelo espalhado pelas ruas. Ou uma bike amarelinha jogada por aí.

Trata-se de um novo movimento que está cada vez mais popular no país. O mercado de micromobilidade.

Capitaneando esse movimento, estão duas empresas especializadas na área. A brasileira Yellow e a mexicana Grin.

Em janeiro de 2019, as duas empresas anunciaram uma fusão. Assim, nasceu a Grow, que se tornou líder em micromobilidade na América Latina.

Na época da fusão, as empresas continham juntas mais de 135 mil bikes e patinetes elétricos e 1,1 mil funcionários espalhados por seis países.

Além disso, as empresas já haviam realizado 2,7 milhões de corridas em apenas seis meses.

Por trás da Yellow estão os brasileiros Ariel Lambrecht e Renato Freitas, cofundadores da 99.

Após vender o aplicativo para a gigante chinesa Didi Chuxing, os empresários apostaram nessa nova forma de se locomover pelas cidades.

Já a Grin, nasceu no México e está presente em 11 cidades da América Latina.

Como funcionam os patinetes elétricos?

Ao contrário das bikes disponibilizadas por bancos como Itaú e Bradesco, os patinetes e bicicletas da Grow não possuem estações físicas.

Assim, os veículos ficam espalhados pelas ruas das cidades. Para utilizar, você deve baixar o app, encontrar o veículo mais próximo e escanear o QR Code do patinete elétrico.

Ao desbloquear, basta manusear os botões de acelerar e frear. Os patinetes elétricos podem alcançar até 20 Km/h.

Segundo a assessoria de imprensa da Yellow, o serviço de compartilhamento de bike e patinete elétrico no sistema dockless (sem estação para retirada e devolução) é muito novo e por isso muitas pessoas ainda estão se adaptando. “Ações educativas via app e redes sociais são feitas pela Yellow com o objetivo de conscientizar seus usuários e disseminar o uso responsável dos seus modais”.

No aplicativo, você observará um mapa com delimitação dos locais onde o patinete pode ser deixado. Ao finalizar a corrida, você deverá tirar uma foto do lugar em que deixou para facilitar que o patinete seja encontrado.

Caso o usuário deixe os patinetes fora da área de cobertura, pode ser cobrada uma taxa de 100 reais.

O preço pelo uso do patinete é um valor fixo para destravar e mais uma taxa por minuto rodado.

Problemas com roubo?

Enxergar patinetes e bicicletas espalhadas pela cidade sem nenhum tipo de proteção evidente pode assustar. Porém, segundo a Yellow, a empresa investe para evitar furtos. Por exemplo, as bicicletas Yellow foram desenvolvidas com peças exclusivas, que não se adaptam a outros modelos.

Além disso, todas as bicicletas e patinetes da empresa são rastreadas por sistema GPS – o que já evitou episódios indesejados e ainda levou à recuperação dos equipamentos e à apreensão de pessoas envolvidas nesses casos.

“A empresa conta com um time de guardiões – sua equipe de rua, destinada ao monitoramento e organização das operações – mantém contato frequente com autoridades e também recebe denúncias feitas pelos próprios usuários, a partir das quais atua na recuperação dos equipamentos”.

Prefeituras já começam debater regulamentação

Segundo uma matéria publicada no site do jornal O Estado de São Paulo, os patinetes elétricos já estão presente em 10 capitais do país. Atualmente, apenas a região Norte não conta com o serviço.

Assim, as prefeituras das cidades já estão discutindo uma forma de regulamentar o serviço. Principalmente para garantir a segurança.

A matéria destaca que segundo resolução do Contran (Conselho Nacional de Transporte), o patinete elétrico não pode andar acima de 20 Km/h em calçadas. Já em ciclovias e cliclofaixas, a velocidade máxima é de 6 Km/h.

No entanto, já existe um debate para proibir o uso dos patinetes elétricos em ruas, como já ocorre em São Paulo.

Além disso, a capital paulista debate como deve ser feito o suporte da empresa e a criação de estacionamentos em recuos fora de circulação de pedestres.

Há também a possiblidade de restringir a circulação em ruas e avenidas por parte dos entregadores de comida.

Segundo a reportagem, o prefeito Bruno Covas pretende proibir o uso do patinetes elétricos nas calçadas, afim de evitar acidentes.

Uma das maiores polêmicas sobre o uso do patinete diz respeito à legalidade de deixar os patinetes no meio das ruas. O entendimento é que isso seria um uso indevido da via pública.

Por isso, cidades como Santos proíbem o ato. Assim, os patinetes devem ser deixados em áreas privadas conveniadas com as empresas do serviço.

Patinetes elétricos estimulam um mercado de economia compartilhada

Além de uma nova forma de mobilidade, os patinetes elétricos representam uma novo meio para as pessoas ganharem dinheiro.

Um das possibilidades é realizar as recargas dos patinetes. Assim, através do app você pode identificar quais estão descarregados e fazer recarga remunerada do aparelho.

O carregador ganha por patinete recarregado (acima de 90% de bateria) e entregue às estações antes das 7h da manhã.

Ah, mas o modelo dessas empresas de micromobilidade não é de dockless?

Sim, porém, no site da Grin você pode inscrever o seu estabelecimento para ser uma parceira da empresa. Assim, os patinetes terão como ponto de referência a calçada desses estabelecimentos.

É o caso de uma barbearia no centro do Rio de Janeiro. O estabelecimento é um dos locais cadastrados para servir de estação para os patinetes.

Segundo uma das funcionárias do local, Amanda Moreira, apesar da parceria não ter aumentado o número de clientes do local, os patinetes são bem interessantes. “Eu acredito que para quem trabalha no centro foi um facilitador, porque agora percorre curtas distância usando o patinete”.

Estabelecimentos parceiros da Grin possuem essa placa de identificação.

Para Edmar Cunha, um dos responsáveis por outro estabelecimento parceiro da Grin, ser uma estação serve como marketing para o restaurante. “Às vezes a pessoa não nos conhece, quer ir atrás do patinetes e vê que nós somos uma estação através do app”.

Ao lado de umas estações da Grin no Rio de Janeiro, o carioca Bruno Coelho olhava atentamente os patinetes. Mexia, mas decidiu não se “arriscar”. Apesar de achar inovador, Bruno tem suas ressalvas. “Não sei se vai dar certo, pois falta não instrumentos de segurança, como capacete.

Empresas investem na América Latina

Segundo a assessoria de imprensa da Yellow, as grandes empresas de micromobilidade enxergam na América Latina um forte mercado.

Afinal, existem características específicas dessa região que podem impulsionar o mercado. São elas:

  • Alta densidade populacional;
  • Forte penetração de telefonia móvel;
  • População não bancarizada;
  • Transporte público e infraestrutura subdesenvolvidos;
  • Ecossistema, cultura e clima amigáveis para bicicletas e scooters. 

Por isso, a empresa pretende a curto prazo ao mínimo duplicar sua frota.

Além disso, com a fusão, a expectativa é que o serviço seja oferecido em novas cidades da América Latina nos próximo meses. “Nós queremos construir uma plataforma que garanta serviços essenciais para os latino-americanos. De início, focaremos em mobilidade, serviço de entrega de comidas e pagamentos, mas não vamos nos limitar a eles”.

O que achamos?

A equipe de marketing da Machine testou os patinetes pelo centro da capital Fluminense.

Pegamos os patinetes na estação da Grin da Rua 7 de setembro, enfrente à sede da Procuradoria Geral do Município.

Tivemos um pouco de dificuldade para realizar o desbloqueio. Na verdade chegamos a movimentar o patinete sem ele estar ligado.

Meu cartão Nubank físico não foi aceito e precisei recorrer ao cartão de uma das colegas (Semanas depois consegui usar com o cartão virtual da fintech).

O celular de uma das colegas estava no meu bolso e ao me distanciar do patinete em que ela estava, o veículo foi desligado e a viagem encerrada. Assim, percebemos que o seu celular deve estar próximo a você enquanto utiliza o patinete.

Percorremos o caminho ora na calçada, ora na rua. Realmente não é uma tarefa fácil, principalmente meio dia no centro do Rio de Janeiro. Apesar disso, o passeio é agradável e o receio inicial é rapidamente substituído pelo ânimo da novidade.

Ao final, deixamos o veículo enfrente ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e por orientação da Grin, tiramos uma foto do patinete ao deslogar.

Nosso destino final foi o Centro Cultural Banco do Brasil. Assim, percorremos uma distância de 1,4 Km em 19 minutos. Os primeiros 10 minutos não foram cobrados, mas como alguns dos colegas estouraram o prazo, desembolsaram algo perto de 15 reais pelo passeio.

Aplicativo da Yellow é semelhante ao da Grin.

Por isso, tanto pelo preço quanto pela infraestrutura ainda não ideal, nos questionamos se a finalidade dos patinetes seria algo mais para o entretenimento ou de fato pela mobilidade.

A resposta ainda não temos, mas que a novidade na mobilidade é sempre bem vinda, isso é.

E você, o que está achando dessa novidade?

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