Grupos de Whatsapp: entrevista com Thiago Lima, o motorista oficial

O Whatsapp é um dos principais meios de comunicação dos brasileiros. É raro encontrar alguém que não esteja em um grupo. Seja do trabalho, da universidade, dos amigos, as pessoas estão constantemente trocando informações, vídeos e imagens sobre diversos assuntos.

Entre os motoristas de aplicativo, o Whatsapp virou um instrumento de trabalho. Tão importante quanto o GPS, estar em um grupo garante ao motorista uma segurança maior, dicas sobre a profissão e até uma possibilidade para empreender.

Dono do canal Motorista Oficial, Thiago faz sucesso nas redes. Com mais de 30 mil inscritos, Thiago anunciou no final de 2017 a criação de grupos para motoristas no Whatsapp em todos os estados do país. “Só em São Paulo temos quatro grupos (…) temos só para mulheres, grupos de Youtubers, além grupos gerais para todo o Brasil e em algumas cidades específicas”.

Thiago é administrador de 55 grupos para motoristas e ao total ele faz parte de mais de 100.

Como a maior parte dos motoristas, Thiago começou nos aplicativos após tempos difíceis. Ele trabalhava em uma seguradora, tinha aberto seu próprio negócio e ainda ganhava um extra fazendo esculturas em frutas. Decidiu ingressar nos aplicativos como uma forma de ganhar uma renda a mais.

Porém, de uma hora para outra a seguradora que trabalhava fechou, seu negócio faliu e sua esposa ainda foi demitida. “Então o que era uma renda extra acabou se tornando a principal”, conta Thiago.

Ele decidiu vender seu carro, quitar suas dívidas e começar a rodar nos apps com um carro alugado.

A ideia inicial do canal era pra falar sobre sua paixão, carros. Mas com todo seu carisma e conhecimento foi expandindo seu canal e começou a dar dicas sobre sua profissão.

Segundo Thiago, o Whatsapp é uma peça fundamental para o trabalho do motorista, já que garante informação e segurança para eles.

Qual foi a importância dos grupos do Whatsapp no seu início com os apps?

Quando eu comecei eu me sentia sozinho, sem saber de novidade alguma sobre o aplicativo. As únicas coisas que eu tinha acesso era o que estava disponível na internet. Eles (aplicativos) não colocavam nada. Então eu busquei os grupos para ter mais informações. Mas em muitos grupos o ego falava mais alto. Quando alguém tinha uma dúvida ia falar diretamente comigo e isso acabou incomodando os administradores, então eu fui lá e criei o meu. É um dos grupos que está ativo até hoje.

Hoje em dia você faz parte de quantos grupos?

Eu tenho um grupo para cada estado, todos criados por mim. Só aqui em São Paulo eu tenho quatro, um só para mulheres, um só de youtubers, um grupo Brasil e alguns grupos de cidades específicas. Devo ter uns 55 grupos criados por mim e os que eu faço parte são uns 100.

Como eles funcionam e quais são os assuntos mais frequente?

Depende do grupo e da região, basicamente são o dia a dia dos motoristas.

São só coisas do dia a dia ou vocês debatem situações externas?

Depende. Em um grupo de São Paulo, chegamos ao consenso de não falarmos sobre política e focar só no nosso trabalho. Nos outros também é proibido qualquer comentário sobre política.

Quais são as principais importâncias dos grupos para os motoristas?

Para quem está começando é sempre bom porque as informações e atualizações, aquilo que está acontecendo no momento, você sempre terá por intermédio do grupo. Já aconteceu um assalto que conseguimos localizar carro, motorista e enviar uma viatura. Também ajudamos o motorista em caso de alagamento, pane seca e pane elétrica. Então os motoristas que fazem parte eles suprem suas necessidades com os grupos. Agora que é possível compartilhar sua viagem nos grupos do Whatsapp, isso melhora muito, já que conseguimos fazer o rastreamento.

Você lembra de uma história curiosa que ocorreu em um grupo de motoristas?

Uma vez achamos um carro roubado. Estávamos trabalhando pela parte da noite quando um colega ficou incomunicável. Em seguida veio um amigo dele e falou que ele havia sido assaltado, levaram o carro e o celular. Ele estava indo para a delegacia fazer o BO, mas o carro dele não tinha seguro. Eu estava próximo da região, então decidi dar um suporte. Fui pra delegacia e ele estava aos prantos. Tentamos acalmar. Falei pra ele entrar no meu carro, que seria o motorista Uber dele e acharíamos o veículo. Segui a rota dele, quando virei à direita e demos de frente com o carro. Se não fosse o grupo, ninguém saberia que ele foi assaltado.

Uma outra que eu lembro é uma motorista que estava perto de um shopping esperando corrida, quando a chave dela caiu dentro do bueiro. Ela colocou no grupo, fomos lá e estava ela e o pai, um senhor de idade tentando pegar a chave. O grupo se uniu, levantamos o bueiro e pegamos a chave.

Temos observado que sai de muitos grupos no Whatsapp a ideia de criar um negócio próprio. Você percebe isso?

Bastante. Até mesmo da própria Driver Machine, em vários grupos que eu participo os motoristas contrataram o serviço e criaram os aplicativos deles. Têm muitas coisas que são criadas lá, como associações, sindicatos e centros automotivos. Muitos bons negócios saem dos grupos.